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Normas Técnicas

Como funciona o SPDA e o que a NBR 5419 exige da sua instalação

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03 jul 2026 • 4 min de leitura

O Brasil está entre os países com maior incidência de descargas atmosféricas do mundo, e uma planta industrial concentra exatamente o que um raio pode destruir: estruturas elevadas, redes de cabos extensas e eletrônica embarcada em praticamente todo equipamento. O SPDA — Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas — é o conjunto de medidas que reduz esse risco a um nível aceitável, e a NBR 5419 é a norma que define como projetá-lo, instalá-lo e mantê-lo.

O que a NBR 5419 estabelece

Desde a revisão de 2015, a norma é dividida em quatro partes: princípios gerais, gerenciamento de risco, danos físicos às estruturas e proteção dos sistemas elétricos e eletrônicos internos. Essa estrutura reflete uma mudança de abordagem: a proteção deixou de ser um item isolado no telhado e passou a ser um sistema completo, dimensionado a partir de uma análise de risco formal que considera a estrutura, seu conteúdo, as linhas que a alimentam e as pessoas que a ocupam.

Os três subsistemas do SPDA externo

O SPDA externo é composto por três subsistemas que trabalham em sequência:

  • Captação — recebe a descarga antes que ela atinja a estrutura. Pode usar captores tipo Franklin, condutores em malha sobre a cobertura ou a combinação de ambos, com posicionamento verificado pelo método da esfera rolante, do ângulo de proteção ou das malhas;
  • Descida — conduz a corrente da captação ao solo por caminhos curtos e distribuídos ao longo do perímetro, reduzindo o risco de centelhamento lateral;
  • Aterramento — dispersa a corrente no solo, normalmente por meio de eletrodo em anel enterrado ao redor da edificação, integrado ao aterramento geral da instalação.

A equipotencialização amarra o conjunto: todas as massas metálicas e os aterramentos da planta devem ser interligados, evitando diferenças de potencial perigosas durante a descarga.

Classes de proteção e análise de risco

A norma define quatro classes de SPDA, de I a IV, em ordem decrescente de rigor. A classe determina parâmetros como o raio da esfera rolante, o espaçamento da malha de captação e a distância entre descidas. A escolha não é arbitrária: resulta do gerenciamento de risco da Parte 2, que compara o risco calculado da estrutura com o risco tolerável. Estruturas com ocupação intensa, conteúdo de alto valor ou risco de explosão exigem classes mais rigorosas.

DPS: a proteção que o captor não faz

O SPDA externo protege a estrutura, mas não protege a eletrônica. Uma descarga próxima — mesmo sem atingir o prédio — induz surtos nas linhas de energia e de dados que percorrem a planta. É a Parte 4 da norma que trata dessa frente, e o componente central é o DPS, dispositivo de proteção contra surtos.

Os DPS são coordenados em estágios: classe I na entrada da instalação, onde se espera parcela da corrente da descarga; classe II nos quadros de distribuição intermediários; classe III junto a equipamentos sensíveis. A instalação nos quadros gerais e CCMs deve prever espaço, proteção de retaguarda e condutores curtos — detalhes de projeto que definem se o DPS atua como especificado. Em eletrocentros e salas elétricas, a coordenação de DPS integra o projeto do conjunto desde o início.

Inspeções e manutenção periódica

SPDA sem inspeção é proteção presumida. A norma exige inspeções visuais e completas em intervalos definidos conforme a classe do sistema e a agressividade do ambiente, com medições de continuidade e de resistência de aterramento documentadas. Inspeções adicionais são obrigatórias após modificações na estrutura, reformas na cobertura ou descargas registradas. O laudo do SPDA, assinado por profissional habilitado, integra a documentação que a NR-10 exige no prontuário das instalações elétricas.

Proteção integrada ao sistema elétrico

O SPDA é eficaz quando conversa com o restante da instalação: aterramento unificado, equipotencialização consistente e DPS coordenados desde o projeto dos painéis. A BRVAL projeta e fabrica painéis de baixa tensão preparados para receber a coordenação de DPS definida no projeto e realiza serviços de campo de medição, adequação e manutenção que ajudam a manter a documentação de proteção da planta em dia.